Buenos Aires não tem crise de identidade. É Buenos Aires até debaixo das águas do Rio da Prata. A capital e maior cidade da Argentina esbanja personalidade e tem um ego do tamanho da Casa Rosada. Basta lembrar um tango à meia-luz, a figura de Evita Péron, o aroma de uma parrilada, um passeio pela Calle Florida, e pronto: é Buenos Aires.
Personalíssima, a cidade reflete o jeito de seus bairros. A região central, ao redor da Praça de Maio, preserva a Buenos Aires oficial, com a sede do governo se abrindo para a praça. As mães da Praça de Maio ainda se reúnem para lutar pelo direito de saber onde estão os filhos desaparecidos durante o regime militar. Mas também exibe avenidas largas, igrejas coloniais, ruas para pedestres e teatros líricos – o Colón tem uma das melhores acústicas do mundo.
Tango à meia-luz
No popular bairro de La Boca, casas revestidas de chapas metálicas e pintadas em cores vivas dão um toque particular. No tradicional San Telmo, construções coloniais restauradas abrigam artistas de todo tipo. No elegante La Recoleta, os melhores bares e restaurantes portenhos – e o agito mais cult da cidade. Em Palermo, áreas verdes para descarregar todo o estresse da semana. Sem Buenos Aires, não é exagero dizer, não haveria a Argentina – ou a idéia que se tem da Argentina. A capital concentra um terço da população do país e soma mais de 11 milhões de habitantes na região metropolitana, liderando todos os setores da vida nacional, do administrativo ao político, do cultural ao industrial. A mais européia das metrópoles latino-americanas é a alma da Argentina. Buenos Aires se assenta na margem meridional do estuário do Rio da Prata, mas não é de ficar olhando as águas passarem. Pelo contrário, prefere viver. De dia e de noite – é comum encontrar famílias inteiras passeando de madrugada. Se possível, com a paixão de um tango à meia-luz.
dicas de hotéis, comentários de Viajantes, fotos de destinos e experiêmcias de viagem